Projeto de vida: para jovens que querem mais


Artigo dá dicas para a elaboração do projeto pessoal de vida.

“Por tanto amor, por tanta emoção, a vida me fez assim, doce ou atroz, manso ou feroz, eu caçador de mim. Preso a canções, entregue a paixões, que nunca tiveram fim, vou me encontrar, longe do meu lugar, eu caçador de mim. Nada a temer senão o correr da luta, nada a fazer senão esquecer o medo (...) Longe se vai, sonhando demais, mas onde se chega assim? Vou descobrir o que me faz sentir eu caçador de mim.” Luiz Carlos Sá e Sergio Magrão - Caçador de mim

Tão sensível e visceral, a poesia dessa música pode ser um primeiro texto para refletirmos sobre o que é um Projeto Pessoal de Vida, e como é importante conhecer-se para poder dar passos seguros rumo à realização pessoal. Assim, cada jovem, como pessoa saudável e feliz, terá a segurança necessária para ser protagonista da construção da sua própria história e da sociedade em que vive. Por isso é necessário organizar e planejar os rumos da própria vida.

Uma maneira de concretizar esse planejamento é através da elaboração do Projeto Pessoal de Vida, o PPV. Ele é essencial para toda mulher e todo homem, é um caminho de opções e discernimento que influenciará os rumos de uma pessoa que quer ser feliz. Pensar e escrever o projeto de vida ajuda cada pessoa que o faz a encontrar os elementos necessários para que possa tomar decisões maduras e acertadas, contribuindo para sua realização como pessoa ativa na sociedade.

Passos na elaboração do projeto

Muitos(as) educadores(as) de jovens têm se especializado em conhecer esse exercício, primeiro para si, para construir seus próprios projetos de vida, depois, e como desdobramento, se capacitam para ensinar e acompanhar outras pessoas.

A construção do PPV começa com uma pergunta existencial: qual é o meu lugar no mundo? Para responder a esta questão é necessário recordar a história pessoal e procurar retomar, com a inteligência e com o coração, os caminhos por onde cada um andou. Esse exercício pode se tornar algo muito especial e prazeroso porque envolve, necessariamente, o diálogo com outras pessoas. O ponto de partida poderá ser uma conversa com pais e mães ou com os demais familiares e gente próxima, escutando-os sobre você e os acontecimentos que o(a) cercaram desde o seu nascimento.

A elaboração do PPV é um processo contínuo, que se faz no cotidiano. Jamais poderá ser um trabalho para crescer e caminhar sozinho. Depois dessa primeira parte, a sugestão é você ampliar um pouco mais o olhar. Pensar as relações com Deus, consigo, com os outros(as), com as coisas; em casa, na escola, no grupo de amigos, de jovens, no trabalho.

Não é bom que o planejamento do projeto de vida seja um exercício para a autossuficiência, voltado só para a pessoa que o elabora. Ao contrário, é bom que seja um instrumento para a pessoa estar mais inteira, trabalhando para o crescimento do coletivo.

Um novo passo é pensar a pessoa e suas relações mais próximas e que tanto influenciam nossas escolhas. Chegou, então, o momento de conversar com os(as) amigos(as), com os(as) colegas do grupo de jovens, da escola e do trabalho. É indispensável nesse momento conversar sobre como anda a vida do planeta, como está o momento sociopolítico do país, como se está cultivando ou não as relações interpessoais com o(a) namorada(o), com os(as) amigos(as), com a turma do grupo de jovens, com o pessoal da escola e do trabalho etc. Uma pergunta fundamental é: que projeto pessoal de vida quero construir?

A ausência de um projeto de vida pode levar à perda da própria história, correndo também o risco de perder a própria identidade, bem como as perspectivas de futuro. Sonhar o futuro mobiliza a razão e o coração frente ao novo que nos desafia a fazer parte e a ser construído. É uma experiência saudável e estimulante para toda pessoa, mas, para um(a) jovem, é como uma fonte de inspiração para os ideais e as ações que certamente trarão felicidade para si e para outros(as).

Rezende Bruno de Avelar Mestre em Ciências da Religião, coordenador-geral da Casa da Juventude Pe. Burnier, Goiânia, GO. coordena@casadajuventude.org.br

Texto publicado no jornal Mundo Jovem, edição nº 385, abril de 2008, página 14.

Colocando no papel:

Inicie revendo os aspectos mais importantes de sua vida: personalidade, família, estudos, trabalho, amizades, namoro, a comunidade e a sociedade em geral e responda mentalmente: O que tenho de deixar de fazer, já? O que tenho de começar a fazer, já?

Em seguida pegue sua agenda ou caderno e de forma mais sistemática responda às questões que propomos:

1) O que sou? Características, valores, potencialidades, limites, condições de vida etc.

2) Em quem acredito? Qual o rosto/imagem/experiência/visão de Deus que a minha vida deixa transparecer? Em que pessoas, de casa e da comunidade, confio? De quais lutas e causas participo? De quais quero participar?

3) Qual o meu compromisso? “Eis que faço novas todas as coisas.” Que sinais, que respostas concretas devo dar na vida, no cotidiano? Estabeleça metas a curto e a médio prazo.

4) Liste os recursos e pessoas que você poderá buscar para ajudar a realizar o seu projeto.

Agora é cabeça e mãos a pensar e a escrever. Não perca tempo, comece agora a fazer esse caminho rumo a horizontes do encontro consigo mesmo e com todas as pessoas que sonham e lutam pela vida e a querem cada vez mais bonita.

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