HISTÓRICO DA PARÓQUIA SÃO JOSÉ DE RIBEIRÃO PIRES


Período de 1893 a 1976)

Desde 1893 um grupo de famílias se reuniu para a construção de uma pequena capela dedicada a São José. A comissão era composta pelos senhores, major Cattapreta, Capitão Claudino Pinto, Carlos Rohn e Antonio Pereira Figueiredo. A partir daí a capela passou a ser o centro de culto católico em Ribeirão Pires.

Quando os padres escalabrinianos assumiram a direção da paróquia de São Bernardo, a qual era subordinada a nossa região, decidiram ampliar a primitiva capela, para que pudesse atender melhor a afluência dos fiéis devotos. Entre os padres que mais empenharam nessa tarefa é lembrado o Pe João Rabaioli. Com sua saída, por motivo de transferência, as obras da capela foram interrompidas, sendo retomadas por iniciativa de Antonio Ferraz e Virginia Viamo.

Em 1908 estava pronta a nova capela de São José, tendo Dom Duarte, bispo da diocese de São Paulo, concedido, em data de 25 de fevereiro daquele ano, provisão para sua bênção.

Em 1909 foi chamado para Ribeirão Pires, o Pe. Luiz Capra. No entanto, o primeiro vigário de nossa paróquia foi o Pe. Tarcisio Zanotti, que tomou posse em 25 de março de 1912. Ele ficou apenas um ano. Como não havia substituto para ele, a paróquia ficou subordinada à Santo André. O Padre Capra, pároco de Santo André, tendo recebido o Pe. Francisco Navarro como coadjutor, enviou-o para Ribeirão Pires, com o propósito de construir a casa paroquial. Assim, com a casa, o bispo D. Duarte já pode nomear em 1913 um novo pároco para nossa cidade, que foi o Pe. Francisco Navarro, que tomou posse no dia 14 de setembro daquele ano. O número de paroquianos de São José de Ribeirão Pires era de mais ou menos 7500.

Em novembro de 1913, a Matriz recebeu a primeira iluminação elétrica. Nesta época as capelas que pertenciam a paróquia eram: Igreja do Senhor Bom Jesus do Alto da Serra (hoje Paranapiacaba), Igreja Nossa Senhora do Pilar, Capela Monumento de Jesus Redentor de Campo Grande, Capela de Santa Cruz de Rio Grande (Hoje Matriz S. Sebastião de R. Grande da Serra), Capela Santa Cruz em Ribeirão Pires que pertencia ao Sr. Antonio Ferraz Nápoles e Capela Santana de propriedade de Santo Gianasi, hoje Paróquia de Santana.

Em 1917 o Pe. Navarro apresentou os desenhos para ampliação da Igreja Matriz.

Entre os anos de 1917 e 1922, a nossa Paróquia teve como pároco o Padre josé Chiappa que, na época, solicitou à Paróquia da penha, auxilio para que enviasse para cá, missões e ajuda na condução paroquial. Dessa forma, naquele período, a Paróquia deixou de pertencer à missão scalabriniana e ficou subordinada à Paróquia da Penha em São Paulo.

Em 1921, os Scalabrinianos voltaram a assumir a Paróquia com o Pe. Salvador Leonardi. Em 1923, quando deixou de estar subordinada à Paróquia da Penha, foi nomeado pároco o pe. Carlos Porrini. Pe. Porrini viveu momentos difíceis na Paróquia, sendo que sua gestão foi interrompida por três vezes, assumindo o Padre Pedro Negri nos períodos vacantes.

Ele teve muitas dificuldades com as irmandades, principalmente com a do Bom Jesus do Alto da Serra ( Hoje Paranapiacaba). Ele estimulou a criação do Apostolado da Oração e da Congregação Mariana nas comunidades. Padre Porrini construiu a casa paroquial e fez a reforma e pintura da Igreja Matriz.

Em 1928, assumiu a paróquia o Padre Marcos Simone, um dos veteranos da obra Scalabriniana em São Paulo, que na ocasião tinha 61 anos de idade. Ele permaneceu à frente da Paroquia até 1941, ou seja, por 13 anos. A sua obra mais importante foi a fundação do Asilo Nerina Adelfa Ugliengo, graças a generosidade do Comendador João Ugliengo. O Asilo e a escola foram confiados às Irmãs Filhas de São José em princípios de 1932.

Em 1941, foi nomeado pároco de ribeirão Pires o Padre Luiz Corso, sacerdote moço que iniciou as atividades com bastante boa vontade. Recebeu como coadjutor o Padre Antonio Negri.

Nesta época, a Paróquia de ribeirão Pires também incluia a capela de Mauá (hojr Matriz Imaculada Conceição). Com a vinda do Pe. Negri, este se dedicou quase exclusivamente a Mauá.

Foi durante a gestão do Pe. Luiz Corso que houve o problema da implantação da igreja brasileira no território de sua jurisdição, sendo que em 1946, a associação chamada "Amigos de Santo António", separou-se da igreja Católica Romana e chamou para celebrar missa um padre excomungado da religião católica livre.

Em 1943 foi iniciada a campanha de fundos para construção da nova Igreja matriz. Em dezembro do mesmo ano, foi inaugurada a sua nova fachada em que se comemorava o seu cinquentenário.

Em janeiro de 1945, iniciou-se a construção da nova casa Paroquial, concluida no mesmo Em 1946 veio como coadjutor o padre Antonio Cervini (Pe. Antoninho). Em 1947 foi inaugurado o salão paroquial e naquele ano foi lançado o alicerce para a nova igreja.

Em 16 de maio de 1947, depois de ter atuado na paróquia durante seis anos e meio, Pe. Luiz Corso deixou Ribeirão Pires, vindo a assumir o Padre Fernando Sperzagni.

Pe. Fernando tentou animar os fiéis através das festas, das associações e das práticas de piedade. Ele levou em frente a construção da nova igreja. Sob sua gestão foi construido o paredão de pedra ladeando o terreno da igreja.

Pe. Fernando tentou, em vão, com muita diplomacia, dialogar com o grupo ligado à Igreja brasileira que havia tomado posse da capela Santo Antonio no morro do Mirante.

A vida paroquial durante os anos em que Padre Fernando esteve entre nós, foi marcada principalmente pela construção da igreja. Porém outras atividades importantes aconteceram naquele período, como a grande concentração de todas as crianças da arquidiocese de São Paulo, sob a égide da Cruzada Eucarística Infantil, no ano de 1952 em nossa paróquia. Tevemos, em 1953, as missões em preparação espiritual dos festejos do quarto centenário da cidade de São Paulo. Tivemos ainda, a criação da paróquia de Mauá, que até então era subordinada a Ribeirão Pires; para o desmembramento da paróquia, nossos padres aceleraram a construção em alvenaria da igreja de Mauá para entregá-la em junho de 1953 ã arquidiocese de São Paulo, pois ainda não tínhamos a Diocese de Santo André.

Foi em 1954 que foram concluidos os trabalhos internos da Matriz. Tudo estava pronto para a festa de São José e a inauguração da nova Igreja. O Padre Fernando, deixou registrado no Libro Tombo da Matriz o seguinte relato:

"Depois de intensa preparação espiritual, com novena e pregação, no dia de São José foi inaugurada a igreja Matriz pele Eminentíssimo Sr. Cardeal Carmelo de Vasconcelos Mota. Estava presente uma imensa multidão que, satisfeita, louvava a Deus por esta realização. Foram padrinhos o Sr. José Gomes Fernandes e Exma. Sra. Dona Nice Salgueiro Fernandes, os senhores Fioravante Zampol e Lauro Gome, respectivamente prefeito de Santo André e São Bernardo do Campo. A Santa Missa foi rezada pelo Rvdo. Padre Mario Rimondi, superior provincial dos Missionários de São Carlos. No Evangelho, Sua Emcia. Pronunciou comovida oração sobre as festividades e teceu louvores ao glorioso patrono São José. À tarde, uma esplêndida procissão finalizou este dia que realmente é um marco na vida paroquial de ribeirão Pires" (1L Tombo,p.85)

Padre Fernando ficou em Ribeirão Pires até março de 1957. Ele deixou registrado no livro tombo a seguinte mensagem; "Em janeiro, durante o santo retiro recebi a noticia de minha transferência para outro trabalho. Preocupado com isso, procurei liquidar todas as dívidas da Matriz e acelerar os trabalhos da capela Nossa Senhora Aparecida de Ouro Fino. Com demonstração de simpatia e carinho por parte do bom povo, parto para a Itália e deixo Ribeirão Pires. 23/03/1957. Pe. Fernando Seperzagni" (1L Tombo, p.87).

Com a saída do Pe. Fernando tomou posse em julho daquele mesmo ano, como pároco, o Pe. Maximiliano Sanavio, permanecendo apenas 7 meses na função.

Neste período entre a saída do Pe. Fernando e a posse do Pe. Maximiliano, chegou a Ribeirão Pires, o jovem Padre Alcides Zanella permanecendo como vigário apenas 4 meses quando foi transferido para São Bernardo do |Campo. Em outubro daquele ano, com a saída do Pe. Alcides, veio para nossa cidade, em seu lugar, o também jovem padre Reinaldo Scrocaro que era um padre moço cheio de entusiasmo e de piedade e bem preparado nos estudos, ficando um ano como vigario.

Com a saída do padre Maximiliano, foi sugerido pelo Bispo à congregação que enviasse a Ribeirão Pires para ser o seu pároco o padre Alcides Zanella que tomou posse como pároco no dia 8 de março de 1958 com a presença do senhor Bispo Diocesano.

O Padre Alcides, no seu primeiro mandato como pároco permaneceu na Matriz até junho de 1961. Ele deixou registrado no livro tombo a seguinte mensagem de despedida: Acabando o meu mandato de vigário desta paróquia, contente por ter avizinhado os fiéis à Santa Missa dominical, comunhão diária e, o que mais me alegra é ter conseguido um belo grupo de homens à comunhão freqüente e às nove primeiras sextas-feiras do mês e ter atendido as capelas e grupos escolares com a catequese semanal. Agradeço a Deus estes três anos passados e Ribeirão Pires, onde aprendi a amar as almas e a Pia Sociedade e perdão pelas faltas cometidas" (1L Tombo, p.95).

No ano de 1961, no mês de abril, a nossa paróquia recebia o Pe. Fulvio Patassini como vigário paroquial.

No período em que Pe. Alcides permaneceu em nossa Paróquia, ele conquistou a amizade e o carinho do povo da cidade. Muito comunicativo e com seu jeito gaúcho, conquistava não somente mais almas para a Igreja, mas também participação ativa dos fiéis nas pastorais.

Logo após a partida do Padre Alcides Zanella no seu primeiro período como pároco, veio assumir no dia 4 de junho de 1961 o Padre Francisco Dodi. Ele foi o responsável por introduzir na paróquia as modificações litúrgicas promovidas pelo Concílio Vaticano II. Esforçou-se ele para dinamizar as associações religiosas tradicionais, o que não foi tarefa fácil, já que nas modificações do Concilio, algo novo começava a nascer, ao mesmo tempo que iam perdendo forças as organizações e associações que tinham dado certo durante tanto tempo.

Padre Francisco, apaixonado pela música, estimulou a participação do coral nas liturgias com cantos litúrgicos belíssimos. Era de sua composição alguns dos hinos que eram cantados pelo coral.

Foi ele também o responsável pela construção da atual fachada da igreja Matriz, que foi inaugurada na festa de São José no ano de 1964 pelo Bispo Diocesano Dom Jorge Marcos de Oliveira. Naquele mesmo ano, no mês de agosto, foi iniciada a construção da Capela Nossa Senhora de Fátima de Vila Sueli, num terreno doado pelo prefeito Santinho Carnavale.

Padre Dodi permaneceu em Ribeirão Pires até o dia 14 de fevereiro de 1965, deixando muita saudade pelos seus exemplos e pelas suas realizações. Como prova de gratidão ele recebeu do povo um novo cálice. Com a sua saida, no período de 1965 até 1968, assumiram como párocos os Padres Secondo Guerino Zago, Artemiro Brugnarotto e Mario Rimondi. Como vigários, neste período tivemos as presenças dos Padres Fulvio Patassini, Santo Bernardi Junior, Carlos Verri e Artemiro Brugnarotto, que assumiu como pároco até a chegada de Pe. Mario.

Foi neste período que foi criada a Paróquia de Santana e também a comunidade de Santa Rita, no Bairro Bertoldo. O primeiro pároco a assumir a Paróquia de Santana foi o Pe. Bento Karlstat, padre holandes que rezou sua primeira missa naquela comunidade nos dia 9 de outubro de 1966 quando tomou posse, na presença do então bispo diocesano D. Jorge Marcos de Oliveira e do Padre Zago.

A comunidade de Santa Rita começou com a reunião de bons fiéis da Vila Conceição, Vila Prisco e Jardim Boa Sorte, numa capelinha improvisada, na encruzilhada da Rua Santo Bertoldo com Miguel Prisco. O Sr. Mario Zampol doou, naquela época, o terreno para construir a capela, que foi dedicada, a pedido do povo, a Santa Rita de Cássia. A missa naquela capela, era rezada aos sábados a tarde. Posteriormente aquela capela foi transferida para a responsabilidade de Santana, onde permanece até os dias de hoje, muito ativa e participada.

O Padre Zago, que permaneceu entre nós no período de 1965 até agosto de 1967, quando deixou nossa paróquia para assumir o cargo de superior Provincial da Congregação dos Padres Scalabrinianos em São Paulo, foi uma alma boa e generosa que deixou muita saudade para aqueles que tiveram a oportunidade de conhecê-lo melhor e conviver com ele. Era dócil no falar e acolhedor. Tinha uma percepção fabulosa e sempre dispunha de palavras boas e oportunas a cada fiel que o procurava.

Padre Mario ficou em nossa paróquia por apenas seis meses, de agosto de 1967 a 7 de janeiro de 1968. No pequeno período que permaneceu entre nós, Pe. Mario procurou animar as equipes de animação de pais e padrinhos, dar atenção à juventude, introduzir o catecismo nas escolas e preparar as euipes de liturgia quando foi substituido pelo Pe. Alcides Zanella que recebeu a provisão de pároco.

Em novembro de 1968 retornou à Paóquia São José, pela segunda vez como pároco, o saudoso Padre Alcides Zanella permanecendo até fevereiro de 1976.

Já comentamos em números anteriores a trajetória de Padre Alcides. Porém, neste último período em que ficou entre nós, vários acontecimentos importantes ocorreram. Tivemos a construção e inauguração de duas importantes càpelas, as de Vila Sueli, dedicada a Nossa Senhora de Fátima, inaugurada no dia 14 de maio de 1974 e a de Vila Gomes, dedicàda à Nossa Senhora Aparecida, inaugurada no dia 18 de agosto de 1974.

Padre Alcides Zanella, deixou registrado no Livro Tombo o seguinte testemunho acerca da construção da Capela de Nossa Senhora Aparecida: "Foi feita em mutirão pelos operários da vila em 40 dias. Foi feita a procissão com a imagem de Nossa Senhora, bênção da capela. Entrega de crucifixos a 40 homens e crianças que ajudaram na construção da capela. Foi um entusiasmo. Eu, padre Alcides, rezei missa e acompanhei os trabalhos durante os 40 dias; para a construção da mesma foi tirado dinheiro da Igreja matriz e colaboração do povo da Vila (1L Tombo,p.126).

Como é de se notar Pe. Alcides era um entusiasta no desejo de ver em todas as vilas um sinal da Igreja Católica. Recorda-se aqueles que tiveram a felicidade de conviver com ele que o mesmo tinha por hábito sondar os locais onde seria ideal construir uma capela, em cada vila que passava, deixando no terreno desejado uma medalhinha de Nossa Senhora, confiando à sua poderaosa intercessão a graça de ser contruida no local uma capela. Talvez, em função deste hábito é que temos na maioria das comunidades a dedicação à Mãe de Deus.

Neste período, com o advento do Concilio Vaticano II, os movimentos leigos tiveram uma grande ascenção. Padre Alcides teve um especial carinho por apoiar esta nova fase da Igreja dando todo o apoio aos movimentos como o Cursilio de Cristandade e o TLC – Treinamento de Jovens Cristãos. Muitas sementes foram lançadas com estes dois movimentos e temos, até hoje, líderes nas comunidades que iniciaram sua trajetória cristã participativa através destes grupos.

No dia 22 de novembro de 1974, numa viagem à Aparecida do Norte, Padre Alcides sofreu um acidente junto com o motorista Roberto Mozeli perto de Guaratinguetá na Via Dutra. Mesmo fraturado, ele não abdicou seu sacerdócio, e mesmo durante o resgate dos acidentados, fazia questão de posicionar-se como tal. Pelo seu carinho, dedicação e amizade constuida, teve o apoio de vários paroquianos que puseram-se ao seu lado durante a convalescença.

No dia 22 de fevereiro de 1976, Pe. Alcides deixou nossa paróquia, sendo transferido para Rudge Ramos, quando assumiu como pároco de nossa paróquia, num período transitório de 7 meses o Pe. Francisco Doddi.


Em Breve
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